Observar https://observar.ipma.pt/ Instituto Português do Mar e da Atmosfera, I.P. Mon, 08 Apr 2024 15:40:20 +0000 pt-PT hourly 1 https://observar.ipma.pt/wp-content/uploads/2019/01/cropped-MeteoGlobal-favicon-512-32x32.png Observar https://observar.ipma.pt/ 32 32 Rios atmosféricos https://observar.ipma.pt/atmospheric-river/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=atmospheric-river Wed, 10 Apr 2019 09:38:57 +0000 https://observar.ipma.pt/?p=3465 Possibilidade da situação de 11 de novembro ter sido um “Atmospheric River“

Da definição da NOAA: Atmospheric Rivers (“rios atmosféricos”) são zonas relativamente longas e estreitas na atmosfera –“como rios no céu” – que transportam a maior parte do vapor de água dos trópicos para as regiões a norte. Estas colunas de vapor de água movem-se em conjunto com a circulação geral, transportando grandes quantidades de vapor de água e quando atingem terra geralmente precipitam esse conteúdo de vapor de água sob a forma de chuva ou neve. Por vezes as situações extremas de atmospheric rivers são responsáveis por cheias, dada a quantidade de vapor de água que transportam.

O episódio do dia 11 de Novembro de 2018 sugere a possibilidade de ocorrência de um atmospheric river, que terá originado precipitação persistente em Portugal continental.

As duas imagens apresentadas nas figuras 1 e 2, mostram a existência de uma corrente zonal, de oeste para leste nas nossas latitudes, indicando uma zona estreita e bem delimitada com elevado conteúdo em vapor de água, com valores de água precipitável total (TPW – Total Precipitable Water) aproximadamente entre 30 e 40 kg/m2, que durante a sua passagem pelo território do continente deu origem a chuva persistente e pontualmente forte.

Na figura 3, apresenta-se um produto denominado “Blended TPW (composição de dados de água precipitável total) ” do NESDIS – este produto utiliza uma combinação de valores de vapor de água da atmosfera, recolhidos em todo o globo por sensores na banda de microondas a bordo de vários satélites de órbita polar. Este é mais um produto à disposição para análise da existência de possíveis Atmospheric Rivers, de forma a prevenir situações de precipitação extrema que possam conduzir a cheias, por exemplo.

Pela figura 3, verificamos que para um período de 11 horas o produto indica valores de água precipitável total entre 50 a 60 mm. Estes valores apesar não se poderem comparar com os previstos pelo modelo do ECMWF, devido à diferença na escala temporal, sugerem que poderá ter sido de facto um atmospheric river que passou em Portugal continental.

Nesse dia foram várias as estações do continente com valores acumulados em 24 horas superiores a 50 mm, como se pode ver no mapa que segue, que é representativo da zona onde ocorreu maior precipitação.

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Situação de temperatura muito elevada na ilha da Madeira em Dezembro de 2018 https://observar.ipma.pt/situacao-de-temperatura-muito-elevada-na-ilha-da-madeira-em-dezembro-de-2018/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=situacao-de-temperatura-muito-elevada-na-ilha-da-madeira-em-dezembro-de-2018 https://observar.ipma.pt/situacao-de-temperatura-muito-elevada-na-ilha-da-madeira-em-dezembro-de-2018/#respond Mon, 11 Mar 2019 10:26:24 +0000 https://observar.ipma.pt/?p=3404 No final de Novembro instalou-se um anticiclone sobre o Arquipélago do Açores que se estendeu em crista para a Península Ibérica (figura 1).

Este anticiclone esteve estacionário até perto de 10 de dezembro e ainda intensificou (terá começado com perto de 1024 hPa e terá atingido 1036 hPa), estabelecendo uma situação de bloqueio ao deslocamento de depressões para latitudes mais a sul.

Este padrão de circulação, praticamente estacionário, permitiu que o arquipélago da Madeira fosse afetado por uma massa de ar mais quente com trajeto do quadrante leste. Nos níveis médios, o anticiclone manteve a sua posição favorecendo a subsidência (movimentos descendentes do ar) de larga escala que permitiu o aquecimento do ar naqueles níveis.

Para além disso, a ausência de nebulosidade, em particular no dia 5 (figura 2), contribuiu ainda para que a radiação solar aquecesse a camada de ar junto à superfície.

Por fim, a subida de temperatura no Funchal resultou ainda da contribuição do efeito de Foehn. Este é um fenómeno meteorológico da escala local resultante da perturbação do escoamento atmosférico por um obstáculo, normalmente uma montanha.

A estação meteorológica Funchal/Observatório, localizada nas vertentes sul da ilha da Madeira, registou variações significativas nos parâmetros temperatura, humidade relativa e vento que são consistentes com o efeito de Foehn. Nos gráficos seguintes, todos referentes aquela estação, apresentam-se a título meramente exemplificativo dados que mostram essas variações.

Posteriormente verificou-se que no Funchal no dia 5 de Dezembro, a temperatura máxima registada foi 26,9°C, e no dia 7 a temperatura máxima foi 27,1°C e o valor de temperatura mínima registada foi 21,7°C. Estes valores, de acordo com as normais 1971-2000 para o Funchal, são muito superiores à média da temperatura máxima (20.4°C) e à média da temperatura mínima (14.5°C).

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Possível nuvem Nimbostratus sobre Lisboa https://observar.ipma.pt/possivel-nuvem-nimbostratus-sobre-lisboa/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=possivel-nuvem-nimbostratus-sobre-lisboa https://observar.ipma.pt/possivel-nuvem-nimbostratus-sobre-lisboa/#respond Mon, 11 Mar 2019 10:18:54 +0000 https://observar.ipma.pt/?p=3396 De acordo com o Atlas das Nuvens da Organização Meteorológica Mundial (OMM), o Nimbostratus é uma camada espessa de nuvens cinzentas e escuras, associada a precipitação (chuva ou neve) de intensidade fraca a moderada e normalmente não se vê o sol através dela.

É uma nuvem dos níveis médios (localizada entre 2 e 7 km) mas que se pode estender para níveis superiores ou inferiores (figura1).
No dia 11 de novembro, diversas perturbações frontais afetaram Portugal continental (figura 2) que deram origem a um episódio de precipitação persistente e por vezes forte.

Uma forma possível de tentar identificar a presença de nimbostratus, pois nem sempre por inspeção visual é conclusivo, é através da análise de um perfil vertical da atmosfera representado num diagrama adiabático.

O modelo do Centro Europeu de Previsão a Médio Prazo (ECMWF) utilizado no centro de previsão do IPMA previa para a estação meteorológica de Lisboa-Gago Coutinho os seguintes perfis verticais representados em tefigramas (figura 3).

Os prognósticos representados nas figuras 3 a), b) e c), para o período compreendido entre as 09 e as 15UTC, indicam ar muito húmido, com saturação que se estendia praticamente da superfície até aos níveis 600-700 hPa. Era expectável uma camada muito espessa de nuvens com ocorrência de precipitação. Os valores de CAPE são muito baixos, ou seja, pouca instabilidade.

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Invasão de ar estratosférico no território do continente nos dias 5/6 novembro 2016 https://observar.ipma.pt/invasao-de-ar-estratosferico-no-territorio-do-continente-nos-dias-5-6-novembro-2016/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=invasao-de-ar-estratosferico-no-territorio-do-continente-nos-dias-5-6-novembro-2016 https://observar.ipma.pt/invasao-de-ar-estratosferico-no-territorio-do-continente-nos-dias-5-6-novembro-2016/#respond Thu, 20 Apr 2017 10:08:09 +0000 https://observar.ipma.pt/invasao-de-ar-estratosferico-no-territorio-do-continente-nos-dias-5-6-novembro-2016/ https://observar.ipma.pt/invasao-de-ar-estratosferico-no-territorio-do-continente-nos-dias-5-6-novembro-2016/feed/ 0 Primeira chuva do “Equinócio de outono 2016” 13 de Setembro 2016 https://observar.ipma.pt/primeira-chuva-do-equinocio-de-outono-2016-13-de-setembro-2016/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=primeira-chuva-do-equinocio-de-outono-2016-13-de-setembro-2016 https://observar.ipma.pt/primeira-chuva-do-equinocio-de-outono-2016-13-de-setembro-2016/#respond Thu, 20 Apr 2017 10:06:39 +0000 https://observar.ipma.pt/primeira-chuva-do-equinocio-de-outono-2016-13-de-setembro-2016/ A 13 de setembro de 2016, entre aproximadamente as 00 e as 09UTC ocorreu precipitação de uma forma geral sobre Portugal continental, que foi localmente forte nas regiões Norte e Centro e no Alto Alentejo, e que se poderá associar climatologicamente ao equinócio de outono.

Figura 2 – Máximos de reflectividade (dBZ) projectados na horizontal do radar de Arouca dia 13 de setembro 06UTC.

A análise das escalas planetária e sinóptica evidenciava a influência de uma onda de pequeno c.d.o. e grande amplitude nos níveis médios e altos em aproximação ao território do continente, a qual induzia entre aproximadamente as 03UTC e as 06/09UTC forçamento dinâmico significativo, essencialmente nas regiões Norte e Centro, associado a advecção positiva de vorticidade entre os níveis dos 300 e 500hPa. No referido período, nos níveis médios e baixos podia identificar-se advecção quente, em particular nos níveis baixos, fator que poderia ter contribuído para destabilizar a camada. No domínio das escalas sub-sinóptica e mesoescala, podia identificar-se a aproximação e passagem de superfície frontal fria de forte atividade, a qual representava uma zona relativamente baroclínica que fazia a transição entre uma massa de ar tropical/equatorial modificado e com valores elevados de TPW (aproximadamente entre 35 e 40mm) e uma massa de ar tropical/polar e com valores baixos de TPW (aproximadamente entre 15 e 20mm). A partir das 09UTC podia inferir-se um vale térmico sobre o território do continente, e advecção fria numa camada relativamente extensa da troposfera, o que se traduzia pela existência de gradientes verticais de temperatura consideráveis em profundidade, embora LCLs relativamente elevados.

Até às 06/09UTC, a advecção quente e húmida nos níveis médios e baixos sugeria perfis verticais saturados numa camada relativamente profunda da troposfera e valores de TPW elevados, da ordem de 40mm, assim como LCLs baixos, abaixo de 200 metros de altitude, embora os valores da CAPE fossem modestos (abaixo de 500 J/Kg). Ainda assim, podia inferir-se uma atmosfera fortemente shearizada nas camadas 0-6Km e 0-1km, essencialmente com shearing, embora com ligeira advecção quente até aproximadamente 1km de altitude.

A interação entre as escalas planetária/sinóptica e as escalas sinóptica/mesoescala sugeria a formação de nebulosidade convectiva quer em ar quente, quer associada à passagem frontal propriamente dita, e na mesoescala/escala local, a coincidência espaço-temporal entre a CAPE e o windshear essencialmente nas regiões Norte e Centro, sugeria a formação de convecção, eventualmente multicelular, de sistemas convectivos quasi-lineares, de mesovórtices e ocorrência de trovoada. O escasso veering na camada 0-1km, poderia inibir a formação supercelular, que seria assim pouco provável. Não obstante, em ar quente, a interação entre a vorticidade horizontal resultante do forte shearing nos níveis baixos e as eventuais updrafts associadas à nebulosidade convectiva poderia estar na base da conversão de vorticidade horizontal em vorticidade vertical em níveis relativamente baixos, situação que é compatível com a formação de mesovórtices. É ainda de referir, a fraquíssima inibição à convecção devida à existência de LCLs muito próximos da superfície, o que associado ao forte shearing nos níveis baixos, poderia permitir a interação entre vorticidades horizontais de sinais opostos e possibilitar uma sucessão de novas updrafts com consequentemente formação de novas células convectivas (potencial para a formação multicelular).

Adicionalmente, do ponto de vista termodinâmico, a existência de gradientes de TetaSw associados à referida zona baroclínica, poderia por si só, em cada nível isobárico/espessura infinitesimal, ser condição necessária para a geração de vorticidade horizontal, que se poderia concetualizar numa camada pouco espessa, centrada em torno desse nível, e em particular nos níveis baixos. Por outro lado, a zona baroclínica constituiu forçamento à ascensão das partículas, em particular em níveis baixos, facto que aliado à vorticidade horizontal, poderia igualmente conduzir à geração de vorticidade vertical, situação que uma vez mais é compatível com a formação de mesovórtices. Por outro lado, sobre a referida zona baroclínica, poderia, de alguma forma, pré-existir vorticidade vertical associada a convergência à superfície, a qual poderia introduzir perturbações num possível sistema convectivo quasi-linear, com a consequente formação de mesovórtices em níveis próximos da superfície. Assim, neste episódio, seria expectável sobre as regiões Norte e Centro, um episódio potencialmente severo, com ocorrência de precipitação localmente forte, trovoadas e eventuais rajadas fortes.

Seria previsível precipitação forte entre 10 e 25mm numa hora e eventualmente rajadas fortes, e trovoadas até às 06/09UTC, essencialmente nas regiões Norte e Centro. De facto, na rede de estações do IPMA, pôde observar-se nas regiões Norte e Centro e na parte norte do distrito de Portalegre, valores de precipitação acumulados numa hora entre 10 e 25mm, e inferir através dos produtos MAX/SRI/RAIN1 do radar de Arouca e de Lisboa, valores compatíveis com o aviso amarelo numa hora (10 a 20 mm), que efetivamente foi emitido.

A partir das 09/12UTC, devido à advecção fria muito significativa em profundidade e ao abaixamento da isotérmica zero, seria previsível a queda de granizo nas regiões Norte e Centro.

RUN 121200UTC:

130300UTC  300hPa                          130600UTC 300hPa                      130900UTC 300hPa

130300UTC   500hPa                          130600UTC   500hPa                     130900UTC   500hPa

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Precipitação forte na Ilha da Madeira no dia 16 de Outubro de 2016 https://observar.ipma.pt/precipitacao-forte-na-ilha-da-madeira-no-dia-16-de-outubro-de-2016/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=precipitacao-forte-na-ilha-da-madeira-no-dia-16-de-outubro-de-2016 https://observar.ipma.pt/precipitacao-forte-na-ilha-da-madeira-no-dia-16-de-outubro-de-2016/#respond Mon, 20 Mar 2017 11:27:08 +0000 https://observar.ipma.pt/precipitacao-forte-na-ilha-da-madeira-no-dia-16-de-outubro-de-2016/ A situação sinóptica no dia 16 de Outubro de 2016 na Madeira, era caracterizada por uma depressão complexa centrada a norte do arquipélago. O Run das 12UTC do ECMWF de dia 15 de Outubro previa que o arquipélago seria influenciado por uma massa de ar quente e húmido, com TetaSW a variar entre 16/18 ºC (Figura 1) e conteúdo em água precipitável da ordem dos 43 mm (Figura 2).

Figura 1 – Previsão das 12 UTC do dia 15/10/2016 do modelo ECMWF para o TetaSW aos 850 hPa e pressão ao nível médio do mar para as 15 UTC do dia 16/10/2016.

Figura 2 – Previsão das 12 UTC do dia 15/10/2016 do modelo ECMWF para o Total de Água Precipitável para as 18 UTC do dia 16/10/2016.

O tefigrama da radiosondagem para a estação do Funchal às 12 UTC do dia 16, mostra as curvas saturadas, vento forte com um escoamento de sudoeste aproximadamente aos 1500 metros. Foram também obtidos valores de água precipitável de 44.84 mm e CAPE de 102 J/kg.

Neste dia a situação meteorológica levou à emissão de avisos, tendo se registado chuva persistente e por vezes forte, em especial nas terras altas, e apesar de pouco frequente, também ocorreu trovoada. Foram registadas rajadas à superfície da ordem dos 98 km/h e até 120 km/h nas terras altas.

Figura 3 – Radiosondagem da estação do Funchal às 12 UTC do dia 16/10/2016 (fonte: Universidade do Wyoming).

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A comparação da previsão do dia 23 do modelo do ECMWF (Fig. 2) com os dados do altímetro, permitiu perceber que a previsão e a observação apresentavam uma ligeira diferença, que neste caso não foi suficiente para que houvesse a alteração das previsões feitas e baseadas no modelo do ECMWF.

Figura 1- Passagem do satélite OSTM/JASON-2 no dia 23 de outubro de 2016 sobre a Metarea II (dados de altura significativa das ondas obtidos pelo altímetro).

Figura 2 – Sobreposição da passagem do satélite OSTM/JASON-2 (dados do altímetro) ao produto da altura significativa das ondas gerado pelo ECMWF no dia 23 de outubro de 2016 para o período correspondente.

Figura 3 – Comparação da altura significativa observada pelo altímetro e da prevista pelo modelo do ECMWF para o mesmo local e período.

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Olhando para o EFI (Extreme Forecast Index) da altura significativa das ondas, que é utilizado para a verificar a anormalidade de uma determinada previsão baseada na diferença entre a distribuição do ensemble e a climatologia do modelo do ECMWF, podemos ver valores que atingem o topo da escala no Oceano Atlântico às nossas latitudes. O índice SOT (Shift Of Tales) complementa o EFI fornecendo informação sobre quão extremo um evento extremo poderá ser, representado por valores positivos. Assim, a previsão da altura significativa das ondas, no dia 21, indicava a ocorrência de um evento raro e extremo para esta época do ano e nesta região durante os dias 22, 23 e 24 de outubro de 2016.

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Análise do dia 27 de Dezembro de 2016

No dia 27 de dezembro de 2016 a situação sinóptica caracterizava-se por um anticiclone localizado a sueste das Ilhas Britânicas estendendo-se em crista em direção à Europa Central e arquipélago da Madeira, com um núcleo localizado no nordeste transmontano e Zamora, padrão típico de ocorrência de nevoeiro persistente no nordeste transmontano e na Beira Alta.

Também em altitude sobre a Península Ibérica se situava uma crista anticiclónica, evidenciando uma situação muito estável desde a superfície até aos níveis altos da troposfera. A previsão do estado do tempo para este dia era assim de nevoeiro a persistir nestas regiões, como aliás vinha acontecendo já a alguns dias com emissão de aviso de nível amarelo de nevoeiro.

O nevoeiro e as nuvens baixas podem ser identificados no produto RGB natural colour através da cor cizenta clara.

Este produto RGB natural colour é composto pelos dados dos canais IR1.6, VIS0.8 e VIS0.6.

Nuvens baixas com água líquida e nevoeiro visíveis a cinzento-claro devido à elevada refletância das nuvens nos 3 canais.

Além de permitir a classificação de nuvens em geral, e até a deteção de neve, este produto revela-se eficaz na deteção da existência de nevoeiro e nebulosidade baixa assim como o acompanhamento da sua evolução.

O produto RGB natural permite também identificar neve ou gelo no solo ou cirros com gelo (nuvens altas) que surgem na imagem com a cor azul ciano devido à pouca ou nenhuma contribuição do NIR 1.6 (fraca reflectância da neve ou gelo nesta banda) – pouca componente vermelha; devido à forte contribuição de VIS0.8 (forte componente verde); forte contribuição de VIS0.6 (forte componente azul).

Podemos identificar na imagem a cor azul ciano nos Pirinéus, na Serra Nevada e nos Alpes.

Este produto RGB tem o nome de natural colour por dar uma imagem próxima da real da terra vista do espaço com a superfície terrestre a castanho e as zonas de vegetação a verde.

A cobertura vegetal surge a verde devido à menor reflectância da vegetação na banda do NIR1.6 do que na banda VIS0.8 (fraca componente vermelha); devido à maior reflectância da vegetação no canal VIS0.8 (forte componente verde); e à menor reflectância da vegetação na banda VIS0.6 do que na banda VIS0.8 (fraca componente azul).

As zonas do solo sem vegetação e os desertos surgem a castanho devido às maiores contribuições dos 3 canais do que em zonas com vegetação, mas em especial do NIR1.6 (maior componente vermelha).

Finalmente o oceano surge a preto devido à fraca reflectância nos 3 canais:

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Queda de granizo na Ericeira no dia 23 de Novembro de 2016 https://observar.ipma.pt/queda-de-granizo-na-ericeira-no-dia-23-de-novembro-de-2016/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=queda-de-granizo-na-ericeira-no-dia-23-de-novembro-de-2016 https://observar.ipma.pt/queda-de-granizo-na-ericeira-no-dia-23-de-novembro-de-2016/#respond Tue, 07 Mar 2017 16:43:51 +0000 https://observar.ipma.pt/queda-de-granizo-na-ericeira-no-dia-23-de-novembro-de-2016/  

Um vasto campo depressionário originou neste dia períodos de alguma nebulosidade e aguaceiros fracos nas regiões do interior Norte e Centro. No entanto na região a oeste do Cabo Raso formaram-se algumas células convectivas no final da tarde (Figura 1) que se deslocaram para leste e originaram precipitação forte, de granizo e acompanhada de trovoada em alguns pontos da faixa costeira entre o Cabo Raso e Leiria.

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Figura 1 – Imagens do Radar de Coruche dos Máximos de Reflectividade (dBZ) às 1840UTC, 1900UTC E 1920UTC.

Apesar da passagem destas células ter sido rápida, na zona da Ericeira foi relatado e documentado, precipitação intensa e queda de granizo que originou acumulação no solo (Figura 2).

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Figura 2 – Fotografia do granizo acumulado após passagem da célula convectiva na Ericeira (foto: M. Rodrigues).

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